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13 março 2026

A reforma tributária voltou ao centro do debate econômico brasileiro.

Nos últimos dias, ganhou repercussão a proposta apresentada no Congresso que discute encurtar o período de transição do novo sistema tributário, antecipando a implementação plena do IBS em 2027, em conjunto com a CBS que já está no cronograma.

Caso o movimento avance, empresas poderão ter menos tempo para adaptar estruturas operacionais, cadeias produtivas e estratégias de precificação ao novo modelo.

Mais do que uma discussão técnica, o tema reacende uma questão importante para o ambiente empresarial: como as organizações estão se preparando para as mudanças estruturais trazidas pela reforma.

O que está em discussão

A proposta busca reduzir o tempo de convivência entre o sistema tributário atual e o novo modelo aprovado na reforma.

Hoje, a implementação prevê um período de transição mais longo, justamente para permitir que empresas e entes federativos se adaptem gradualmente à nova lógica de tributação. Nesse intervalo, ICMS e ISS seriam gradualmente reduzidos, enquanto o IBS passaria a ganhar espaço na arrecadação.

A eventual redução desse prazo poderia acelerar impactos relevantes para empresas de diversos setores, exigindo planejamento mais rápido e decisões estratégicas antecipadas. Na prática, uma transição encurtada pode concentrar, em um intervalo menor de tempo, efeitos relevantes na formação de preços, na estrutura de créditos tributários e no fluxo financeiro das empresas.

Reforma tributária vai além da alíquota

Na avaliação da equipe da Valestrá, o maior risco para muitas empresas é tratar a reforma apenas como um tema fiscal.

Segundo Jessica Amorim, Head do Núcleo de Reforma Tributária da Valestrá, a mudança trazida pelo novo sistema altera a lógica de incidência tributária e pode impactar decisões estruturais dentro das organizações.

“A reforma tributária não se resume à definição de uma nova alíquota. Ela altera profundamente a forma como o imposto incide ao longo da cadeia econômica. Ao substituir tributos como ICMS, ISS, PIS e COFINS por um modelo de IVA dual, o sistema passa a operar com uma lógica diferente de geração e aproveitamento de créditos. Isso pode afetar margens, estrutura de preços e decisões operacionais das empresas.”

Jessica destaca que, no período de transição, outro ponto sensível envolve os saldos credores acumulados no sistema atual, especialmente de ICMS.

“Empresas que possuem créditos acumulados de ICMS precisam olhar com muita atenção para o cronograma de transição. Dependendo do ritmo de substituição dos tributos, pode haver dificuldade de absorção desses créditos ao longo do tempo, gerando saldos credores remanescentes que afetam o fluxo de caixa e a gestão financeira das empresas.”

Outro ponto que merece atenção envolve os regimes especiais e benefícios fiscais atualmente vinculados ao ICMS. Como muitos desses incentivos são estruturados por meio de diferimentos, créditos presumidos ou termos de acordo firmados com os estados, a redução do período de transição pode antecipar a perda de sua eficácia econômica. Essa mudança também pode repercutir no cronograma de implementação do Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF), criado justamente para mitigar a perda desses incentivos, já que sua operacionalização foi concebida considerando um período de transição mais longo.

Ela também chama atenção para o risco de aumento da carga tributária em determinados setores.

“Além da questão dos créditos, existe um debate relevante sobre o nível final da carga tributária no novo sistema. As estimativas de alíquota padrão do IBS e da CBS indicam patamares elevados, que em alguns cenários podem se aproximar de 27% ou 28%. Para muitas empresas, isso representa uma mudança significativa na estrutura de custos e exige revisão profunda de modelos de negócio e estratégias de precificação.”

Um tema estratégico para as empresas

Para Tiago, vice-presidente da Valestrá, a discussão reforça que a reforma tributária deve ser tratada como uma pauta estratégica dentro das organizações.

“Grande parte do mercado ainda está concentrado em discutir qual será a nova alíquota. Mas o impacto mais relevante da reforma está na forma como ela altera a lógica econômica dos negócios.”

Ele ressalta que mudanças estruturais no sistema tributário podem influenciar decisões importantes, como reorganização de operações, revisão de cadeias produtivas e estratégias de crescimento.

“Empresas que analisam a reforma apenas sob a ótica fiscal podem acabar subestimando seu impacto estratégico.”

Preparação exige visão de longo prazo

Para Keila, presidente da Valestrá, a discussão sobre a velocidade da implementação reforça a necessidade de planejamento empresarial diante de mudanças estruturais.

“Independentemente do ritmo de implementação, a reforma tributária representa uma transformação relevante no ambiente de negócios brasileiro. Mudanças dessa magnitude exigem leitura estratégica e capacidade de adaptação por parte das empresas.”

Ela destaca que o momento exige que organizações ampliem sua visão sobre o tema.

“Mais do que responder a uma mudança regulatória, empresas precisam entender como essa nova lógica tributária impacta decisões de negócio no longo prazo.”

Transformar complexidade em visão estratégica

A reforma tributária é considerada uma das mudanças estruturais mais relevantes no ambiente empresarial brasileiro nas últimas décadas.

Nesse contexto, cresce a importância de análises que conectem cenário regulatório, estrutura empresarial e estratégia de negócios.

Na Valestrá, apoiamos empresas na leitura estratégica de mudanças complexas, transformando ambientes regulatórios em clareza para tomada de decisão.

Fonte da notícia que originou a discussão:
Economic News Brasil

Jessica Amorim

Especialista em Direito Tributario

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